O Ectoplasma e a Mediunidade de Efeitos Físicos

- Lúcia Loureiro -

 Para a biologia, plasma é a substância fundamental das células. É o mesmo que protoplasma. Caracteriza-se como um líquido de cor amarelada composta de uma solução de proteínas em que se encontram, em suspensão, as células. Fazem parte da composição do sangue: plasma, hemácias, leucócitos e plaquetas. Conforme instruções do mundo espiritual, o sangue fixa as atividades no campo material e, em seu fluxo e refluxo, movimenta as forças do organismo, proporcionando o tônus vital do corpo físico. Prova disso é que, quando a circulação se torna difícil, as enfermidades começam a surgir e pode sobrevir, em casos graves, a morte do corpo. Essas informações e as que vêm a seguir, por exemplo, fazem parte das orientações do instrutor espiritual ao Espírito André Luiz que, segundo consta, foi médico em vida:

“Você não ignora que o corpo humano tem as suas atividades propriamente vegetativas, mas talvez não saiba que o corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. Na organização fetal, o patrimônio sanguíneo é uma dádiva do organismo materno. Logo após o renascimento, inicia-se o período de assimilação diferente das energias orgânicas, em que o “eu” reencarnado ensaia a consolidação de suas novas experiências e, somente aos sete anos de vida comum, começa a presidir por si mesmo, ao processo de formação do sangue, elemento básico de equilíbrio ao corpo perispirítico ou forma preexistente, no novo serviço iniciado.” (XAVIER, F. C. / André Luiz in  Missionários da Luz; Ed. FEB, p. 220).

Desde eras pretéritas, o Homem se sentiu fascinado pelo sangue. A Bíblia (Deteuronômio, 12:23), depois de falar num mar desse líquido, diz: “Somente empenha-te em não comeres o sangue, pois o sangue é a vida; [...]. E uma infinidade de sa- crifícios perversos foram executados devido a crenças e rituais primitivos cultuados por indivíduos e povos na pretensão ilusória de acalmar e presentear os seus “deuses” com a preciosa substância. O prof. C. Torres Pastorino, em sua obra Técnica da Mediunidade, dedica um capítulo ao sangue e ao ectoplasma e a íntima relação entre eles e a mediunidade de efeitos físicos. Entretanto, ainda não foi devidamente explicado o papel do ectoplasma na mediunidade. Alguns pesquisadores expuseram teorias sobre a sua função, deixando, entretanto, muito a acrescentar e muitas dúvidas a esclarecer. As pesquisas pararam no tempo. Isso se deve, principalmente, à falta de indivíduos com faculdades especiais que se prestem à observação e, também, ao desinteresse pelo aspecto científico do Espiritismo dos que lidam com a educação mediúnica. Consideram tais pesquisas, talvez, um trabalho inútil e desnecessário. Entretanto, para que se tenha uma noção aprofundada sobre o ectoplasma, é preciso que a pesquisa abranja vários aspectos: as suas propriedades; seus efeitos sobre os médiuns; os métodos para a sua manipulação. As referências ao ectoplasma são antigas. O médium sueco Swedenborg (1688-1772), no início de suas visões, referiu-se a uma espécie de vapor que exsudava de seu corpo e escorria até o tapete. Na Idade Média, Thomas Vaughan, em sua obra Lumen de lúmine, descreve uma substância que ele teria colhido para observação:

“Tenho apanhado um pouco desse licor para estudar que estranha substância era essa, reconheci que se desfazia como uma neve. Quando a tinha nas mãos, não era água comum, mas uma espécie de óleo, cuja consistência viscosa, graxa, mineral, brilhante como a pérola, me pareceu transparente como o cristal. Examinando-a ainda, pareceu-me que tinha certa aparência espermática e, em verdade, era mais obscena ao tato que à vista.” (Apud PASTORINO, T., Técnica da Mediunidade; Ed. Sabedoria, p. 144).

Certos pesquisadores descrevem o ectoplasma como pesado, úmido, viscoso e frio. Como se tivesse vida própria, saindo do corpo do médium, dele se afastando e se aproximando, passeando pelo ambiente, formando longas hastes, mãos, rostos e corpos inteiros. O barão Schrenck Notzing, em Munich (Alemanha), conseguiu filmar o ectoplasma em movimento no momento em que era exteriorizado pela boca da médium polonesa Stanislawa P..

Tais afirmativas vêm ao encontro das pesquisas que realizamos no Grupo Ambroise Paré, dirigido por Carlos Bernardo Loureiro, com o Espírito que se denominava “Noiva”, em sessões com o médium José Medrado. As características do ectoplasma eram as mesmas. Coletamos um pouco dessa substância em um pequeno frasco em cujas paredes se formaram gotículas. Tinha o cheiro de ozona, algumas vezes muito semelhante ao esperma, que exalava no ambiente durante as experimentações. Mas, até então, o que sabe sobre o ectoplasma, é que, em seu primeiro estádio, constitui-se uma matéria invisível que se vaporiza, liquidifica-se ou solidifica-se em vários níveis de condensação. Seu significado vem do grego “ektos” e “plasma” = substância exteriorizada, termo criado pelo francês Charles Richet, após os acontecimentos em Hydesville, em meados do século XX. Também é chamado psicoplasma e teleplasma. Trata-se de um protoplasma, ainda considerado “misterioso”, que certos indivíduos expelem por diversos orifícios do corpo como nariz, olhos, ouvidos e, também, pelo topo da cabeça, pelo tórax e pelo abdômen, com a finalidade de provocar efeitos físicos e materializações de seres e produtos dos mundos animal, vegetal e mineral. Daí, no caso de pessoas desencarnadas, comparar-se a materialização de um Espírito a uma “reencarnação temporária”, embora, como se verá, nem sempre com a formação plena de um organismo.

Em toda história dos fenômenos espirituais, médiuns têm relatado suas experiências durante as sessões de materialização a que se submeteram para observação de cientistas idôneos em todo o mundo, na maioria dos fatos muito semelhantes. Apesar de inúmeras pesquisas realizadas, questionamentos ainda persistem no campo da materialização de Espíritos e efeitos físicos. Um é sobre as vestimentas e acessórios usados pelos Espíritos nos laboratórios mediúnicos, além do próprio corpo moldado por eles. Interrogados sobre o assunto, os Espíritos revelaram que as vestimentas com que se apresentam são criadas pela força do pensamento, por uma projeção de sua consciência. Segundo revelaram os Espíritos instrutores, ou controles, as roupas são imprescindíveis por dois motivos: cobrir os buracos no corpo, as manchas e as deformações nele existentes e, mais importante, proteger o ectoplasma que forma o “organismo temporário”, evitando uma possível agressão da luz que venha causar alguma mal ao médium. Há casos - dizem - que nem o corpo existe; apenas materializam as partes visíveis, como braços, mãos e rosto, deixando oco o interior. Reportando ao Espírito “Noiva”, um véu lhe cobria o rosto devido aos aspectos ainda defeituoso que trazia, conforme explicou o Espírito Ambroise Paré. Em algumas fotos tiradas desse Espírito, observa-se, também, a má formação de alguns dedos.

Pergunta-se: o ectoplasma assume diferentes tipos de matéria além da parte orgânica a depender do objeto que vai ser moldado? Uma infinidade de coisas faz parte da apresentação do Espírito. Ele pode usar joias, flores, chapéus, bengalas e trazer consigo frutas etc... De que espécie será tal matéria? O mais intrigante é que muitos Espíritos costumam oferecer presentes aos participantes, como mechas de cabelo e pedaços de vestimenta. Mais intrigante ainda é que alguns desses “souvenirs” desaparecem após determinado tempo e outros nunca desaparecem. Eis alguns fatos bastante surpreendentes na história dos fenômenos espirituais.

Katie Brink, o Espírito que se materializava através da sra. Compton, em certa reunião, desejou oferecer um pedaço de sua vestimenta ao coronel Richard Cross, de Montreal. Entretanto, impôs uma condição: teriam de comprar outro vestido para a médium. Após a reunião, os participantes souberam o motivo da estranha solicitação. Havia um grande buraco no vestido da médium exatamente de onde foi retirado um pedaço da vestimenta do Espírito. O mais curioso é que enquanto o tecido cortado do vestido do Espírito, de modelo diferente do da médium, era fino e delicado, o da roupa da médium era uma alpaca preta bastante grosseira.

Abd-u-lah, Espírito controle do médium Eglington, costumava materializar, durante as sessões, esmeraldas, rubis e diamantes. Certa feita, a sra. Nichols, presente na reunião do dia 26 de outubro de 1877, narrou que o referido Espírito fez uma movimentação no ar como se estivesse pegando algo. Após alguns minutos, caiu sobre a mesa um belo anel com um diamante incrustado. Abd-u-lah mandou que todos examinassem à luz do gás e uma moça, Miss M,. o segurasse contando até doze. O Espírito foi materializando outras pedras preciosas de tamanhos variados, algumas avaliadas por um joalheiro presente por 25.000 libras. E disse o Espírito: “Eu poderia fazer Willie o homem mais rico do mundo, mas isso não seria a melhor coisa, poderia ser a pior.” (FODOR, Nando, in: Encyclopaedia of Psychic Science; University Books, p.225). Em seguida, juntou todas aquelas preciosidades sobre a mesa e as dissolveu como um material submetido a alta temperatura até a dissipação total de todas. Como afirmou Hamlet (Shakespeare): “Há mais coisas entre o Céu e a Terra, Horácio, do que sonha a vossa vã filosofia”. Cabe, portanto, à Humanidade desvendá-las.


 

 


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